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Engenheiros participam do Fórum Social Mundial

A partir de amanhã (14/3), entidades ligadas à engenharia irão promover atividades no Fórum Social Mundial (FSM), em Salvador (BA). O tema desta edição é “Resistir é criar, resistir é transformar”. Ao longo de quatro dias, acontecerão discussões, exibição de filmes, debates e oficinas sobre as conjuntura nacional e internacional, a engenharia, a democracia e a soberania nacional.  De acordo com o vice-presidente da Fisenge e presidente do Senge-BA, o engenheiro Ubiratan Félix, o Fórum é um momento privilegiado para que homens e a mulheres pensem e discutam um outro mundo possível com mais direitos sociais e trabalhistas, mais empregos, mais solidariedade, mais democracia e participação social. “Este outro mundo possível perpassa pelos caminhos da resistência em defesa da engenharia e da soberania nacional. Em sua atividade cotidiana, os engenheiros e as engenheiras constroem um mundo mais humano que permite a todos terem acesso a alimento, à moradia, a lazer e à tecnologia. A engenharia tem um papel social de compromisso com o desenvolvimento”, afirmou.

Diante desta perspectiva social, será realizada uma oficina sobre “Assistência técnica para habitação de interesse social”, uma parceria da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros) com a FNA (Federação Nacional de Arquitetos). Uma pesquisa de 2015, realizada pelo DataFolha a pedido do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) –  revelou que 54% dos brasileiros já construíram ou reformaram suas casas e, desse grupo, 85% realizaram obras sem orientação técnica. Os números são alarmantes, mesmo com a lei 11.888/2008, que assegura o direito das famílias de baixa renda à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social, como parte integrante do direito social à moradia. “A maioria absoluta das moradias no Brasil é fruto de autoconstrução, ou seja, as pessoas ocupam ou compram lotes sem infraestrutura e sem projeto aprovado pela municipalidade. A ausência de profissionais de engenharia na elaboração e na execução dos projetos de edificações é resultado da inexistência de uma política de assistência técnica para moradias com foco na população de baixa renda”, explicou Ubiratan. Ele ainda destacou que não existe um mercado voltado para essas famílias. “A falta de uma política de Estado e de mercado tem como consequência a formação de cidades desiguais e a desestruturação física e social”, pontuou.

Cine debate

No dia 16/3, haverá uma sessão de exibição, durante o Fórum Social Mundial (FSM), do filme “Dedo na Ferida”, dirigido pelo cineasta Silvio Tendler. O longa, que é uma parceria entre a Fisenge e o Senge-RJ, traça um paralelo entre análises econômicas de diversos países do mundo e o cotidiano de pessoas afetadas pela desigualdade. “Esta parceria entre arte e movimento sindical sempre aconteceu na produção dos grandes filmes, desde a década de 1930 e a Fisenge e o Senge-RJ recuperam esse encontro entre dois vetores de transformação social”, afirmou Silvio Tendler. A exibição, promovida pelo Senge-BA, Senge-RJ e Fisenge, acontecerá seguida de um debate com Silvio Tendler, das 20h às 22h, na Tenda dos(as) Trabalhadores(as) da CUT (Central Única dos Trabalhadores). O filme também foi vencedor do prêmio de melhor documentário do Festival do Rio.

“Dedo na Ferida” discute o retrocesso ideológico a posições neoconservadoras pautado pelo empobrecimento da classe média, pela falência dos Estados e pelo desemprego. Examina, ainda, de que forma o capitalismo deixou de ser produtivo para se tornar meramente especulativo, motivado pela aposta na geração de dinheiro fácil. O sistema financeiro, que deveria servir ao propósito de levar recursos dos setores superavitários para os deficitários interessados em investir em produção, abandonou o papel de “atravessador” e se assumiu como fim principal das transações econômicas. Os governos nacionais perdem autonomia e passam a lutar contra massas de capital que circulam livremente pelo globo. Grécia, Espanha, Portugal, Brasil e tantas outras nações veem seus destinos definidos pelos interesses da esfera financeira. São grandes corporações, que, por vezes, detém orçamentos mais robustos do que o de alguns Estados, atuam como um “governo sombra”, guiando políticas públicas que favorecem à maximização de seus lucros.

Entre os depoimentos da obra estão os de Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia; Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil; Paulo Nogueira Batista Jr, vice-presidente dos banco dos Brics; o cineasta Costa-Gavras; os intelectuais Boaventura de Sousa Santos (Universidade de Coimbra, Portugal), David Harvey (University of New York, Estados Unidos) e Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha); os economistas Ladislau Dawbor (PUC-São Paulo), Guilherme Mello (Unicamp) e Laura Carvalho (USP), entre outros pensadores que interferem no mundo contemporâneo.

SOS Brasil Soberano

Entre os dias 14 e 16/3, a sede do Senge-BA irá receber atividades da Escola Latinoamericana de História e Política. Os intelectuais Breno Altman e Valter Pomar debaterão os temas “O imperialismo estadunidente”; “O marxismo na América Latina” e “Balanço da experiência política da esquerda latino-americana”. Também acontecerá o pré-lançamento do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), no dia 16/3, na tenda da CUT. No mesmo dia, haverá o seminário internacional da Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia.

As atividades são promovidas pela Fisenge, pelo Senge-BA, pelo Senge-RJ e movimentos sociais. Todos os debates serão transmistidos ao vivo pela página da Fisenge: www.facebook.com/federacaofisenge

Confira a programação completa

14 de março

14h às 16h – “O imperialismo estadunidense”, com Breno Altman, na sede do Senge-BA

15h às 17h – Lançamento do livro “A enciclopédia do Golpe”, na tenda da CUT

15 de março

9h às 13h – Oficina do Núcleo Piratininga de Comunicação, sala 213 do PAF 1

14h às 16h – “O marxismo na América Latina”, com Valter Pomar, sede do Senge-BA

16 de março

14h às 16h – “Balanço da experiência política da esquerda latino-americana”, com Valter Pomar, na sede do Senge-BA

15h30 às 18h30 – Seminário internacional da Plataforma Operária e Camponesa pela Água e Energia, na tenda da CUT

18h30 às 20h – Pré-lançamento do FAMA, na tenda da CUT

20h às 22h – Cine Debate com o filme “Dedo na Ferida”, com Silvio Tendler, na tenda da CUT

17 de março

9 às 11h – Oficina de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social, na tenda da CUT

Fonte: Fisenge

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