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Palestra evidencia o impasse histórico das crises políticas-econômicas no Brasil

Por Tanara Régis
Ascom / Senge BA

A palestra Crise Política-Econômica e os Impactos na Engenharia Nacional lotou, ontem à noite (20/08), o auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – Crea /BA. O evento de iniciativa do Senge BA, da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros – FISENGE e CREA –BA, reuniu um público de 130 pessoas, entre profissionais da área, professores da Universidade Federal da Bahia, estudantes, parlamentares da Assembleia Legislativa da Bahia, e representantes de entidades de classe e movimentos sociais.

Para o presidente do SENGE – BA, Engº Civil Ubiratan Félix, o tema é de grande preocupação uma vez que a divulgação midiática massiva conferiu um grau absurdo de dimensão da crise, o que gera uma reação em cadeia no mercado de trabalho. “No caso da Operação Lava Jato, empresas são confundidas com os dirigentes. É um risco para o Brasil a perda da capacidade tecnológica, empresarial e a falência das empresas de Engenharia. A reação é em cadeia, pois também afetam os prestadores de serviços dessas empresas, como fornecedores de segurança, transporte e alimentação”.

Participante da mesa de debate do evento, a supervisora técnica do Dieese/BA, Ana Georgina, destacou que de janeiro a julho deste ano já teve o dobro de demissões de profissionais da Engenharia em relação a todo o ano de 2014.

“Vale lembrar que 12% dos investimentos em tecnologia nacional são feitos pela Petrobrás, cujo faturamento corresponde a 6% do Produto Interno Bruto – PIB do país. Para esse ano, a Petrobrás tinha um plano de investimento de 200 milhões de dólares, que já foi suspenso”, alerta Georgina.

Diretor da APUB Sindicato, o Professor  Doutor Joviniano Neto, evidenciou também o impacto sofrido pelas empresas impedidas de participarem das licitações e citou as demissões em massa no Estaleiro Enseada do Paraguaçu. “Um absurdo completo. Os gestores e políticos envolvidos devem ser investigados, afastados dos cargos e pagarem por sua ação criminosa quando comprovada a culpa. Mas ao se punir a empresa, quem está pagando são os trabalhadores e o país com a perda tecnológica e empresarial”, diz.

O estaleiro Enseada corresponde a um investimento de 2,6 bilhões de reais, o maior do estado da Bahia, no município de São Roque do Paraguaçu. Dos 7,2 mil trabalhadores, 5,7 mil foram dispensados e 600 entraram em férias compulsórias em consequência do atraso de dois meses nos pagamentos da Sete Brasil às construtoras Odebrecht e Queiroz Galvão.

Crise e Impasse – O historiador Professor Doutor Valter Pomar mostrou, através de uma contextualização histórica, a dimensão estrutural e de conjuntura da crise sofrida pelo país.  Para ele, há uma crise estrutural que se arrasta desde da década de 70,  sem ser resolvida pelos governos neoliberais e progressistas, que não consegue implementar a sua pauta na totalidade.

“A grande questão, que marcou inclusive o impasse na promulgação da Constituição Federal de 1988, é que enquanto a direita afirma que não há ajuste fiscal que atenda a garantia de todos os direitos sociais previstos na CF/88, a esquerda afirma que precisa ampliar esses direitos”, diz. Para ele, o atual ajuste fiscal do governo Dilma virou um monstro quando o mercado financeiro não sustentou mais os sucessivos aumentos do salário mínimo e do emprego formal.

No mesmo sentido, Ana Georgina lembra que no governo Dilma os juros chegou a cair para 7.25 % a.a. com previsão para diminuir ainda mais. “Isso gerou um grande embate com o setor financeiro. Agora o que se vê é a repactuação com esses setores sob a promessa do crescimento econômico através da política de corte de gastos e expansão de juros”, afirma.

Vice-presidente da FISENGE, o Engenheiro Eletricista  Roberto Freire, ressaltou que, ao contrário da indústria, o agronegócio não entrou na crise. “O Brasil é um país agroexportador e isso gera capital para o mercado financeiro”, diz.

Dimensão Política – Para Pomar o impasse continua e está degenerando a política no Brasil. “A esquerda defende um governo cuja política econômica desagrada. Por outro lado as recentes manifestações de direita contrárias ao governo Dilma revelaram um desencontro ideológico. Vimos até cartazes com apelo por ordem militar. A sociedade está mergulhada na violência endêmica e na desconfiança generalizada da corrupção política”, fala.

“Defender a democracia é mudar a política econômica. Isso significa ter protagonismo do Estado e entender que política social é investimento e não gasto. Temos ainda que fortalecer a indústria nacional e tornar o Brasil um dos maiores exportadores de tecnologia do mundo”, conclui.

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