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Seminário evidencia soluções para integração de transportes em Salvador

Por Tanara Régis
Ascom/Senge BA

Em 11 de junho deste ano, o metrô de Salvador completou 1 (um) ano de funcionamento, depois de inacreditáveis 14 anos de obras atrasadas. Para o presidente do Senge BA, engº civil Ubiratan Félix, mesmo com importantes avanços na operação da Linha 1 e na implantação da Linha 2, o metrô de Salvador ainda tem impasses a serem superados, como o da integração física e tarifária.

O tema foi amplamente debatido no Seminário Integração Física-Tarifária do Transporte Urbano de Salvador, realizado durante a tarde de ontem (25/08), no auditório da Assembleia Legislativa da Bahia – Alba, em Salvador. A iniciativa do Senge BA e Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros – Fisenge, contou com a presença de especialistas da área de transportes, da deputada estadual, engª Maria del Carmen, do deputado estadual, engº Marcelino Galo e do chefe da Casa Civil do Estado, o economista, Bruno Dauster.

De acordo com Dauster, as ações de integração física do metrô com demais modais de transporte buscam reduzir o tempo de viagem, já que em Salvador um dos grandes problemas está no deslocamento entre bairros com distâncias extremas. “Vamos criar pontos que concentrem as diferentes linhas de transporte urbano, articulando os sistemas de pequena e média capacidade aos de alta capacidade. A integração dos corredores articulados do BRT – Bus Rapid Transit, por exemplo, reduz esse tempo através das vias exclusivas que não param em sinaleiras”, explica.

Dauster garantiu ainda o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, em substituição aos trens do Subúrbio Ferroviário de Salvador, e a instalação de bicicletários seguros em todas as estações de metrô da cidade. Quanto à integração tarifária, o chefe da Casa Civil não determinou o valor do bilhete único que será definido através de estudos técnicos. A proposta é que tenha subsídio dos governos federal, estadual e de entidades privadas.

“O Governo da Bahia está patrocinando uma redefinição da geografia do transporte de Salvador. Além dos mais de 60 quilômetros de veículos sobre trilhos, como o Metrô e o VLT, as obras das Linhas Azul e Vermelha vão proporcionar aos soteropolitanos uma mobilidade mais confortável, rápida e segura. As tarifas serão cobradas de forma também integrada. Começaremos com a integração entre ônibus e metrô e estamos trabalhando para reduzir ao máximo o custo para os usuários”, conclui Dauster.

Para Ubiratan Félix, a divisão dos subsídios entre os entes federados enfrenta a dificuldade de recursos dos municípios. “A Bahia ocupa o sexto lugar entre os oito estados com maior influência no PIB – Produto Interno Bruto Nacional, único do nordeste a integrar a lista. Mas está em 25º na arrecadação per capita e 26º na arrecadação por km². Isso prova que as cidades baianas sofrem com a desigualdade de renda e ainda são muito pobres”, diz.

mapa das linhas

Mobilidade – O evento contou com a participação dos irmãos, engº Emiliano Affonso e arq Nazareno Affonso, especialistas na área de transportes. “É um equívoco pensar que mobilidade urbana é interesse apenas da população pobre. Nos Estados Unidos, a cada $ 1 bilhão investidos no setor, gerou-se $ 6 bi em retorno para a economia”, diz Emiliano, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô – Aeamesp.

O engenheiro relatou a experiência no sistema de transportes em São Paulo que enfrentou problemas como saturação dos sistemas e o aumento do número de moradores do subúrbio que se deslocavam diariamente para os centros da cidade.

“Tivemos que pensar em uma rede integrada que reduz o tempo de deslocamento, melhora as condições de vida da população e sem aumento da tarifa do usuário”, explica.

Para ele, a integração deve promover a mobilidade de “porta a porta”, independente do sistema usado. “A mobilidade se inicia do momento em que o cidadão sai de sua casa. Isso significa que a rede integrada envolve também bicicletas e calçadas para pedestres”, fala.

Quanto à integração tarifária, foi citado o exemplo dos Estados Unidos, em que 100% do subsídio é público, dividido entre os entes federados, sendo a maior parte do governo federal. A população paga 33% no valor das passagens.

“Ao contrário do Brasil, em que grande parte dos investimentos é arcado pelos municípios. Na operação dos sistemas não existe integração e o subsídio do governo federal para o transporte individual é muito maior do que para o coletivo”, alerta.

No mesmo sentido, o arq Nazareno, coordenador nacional do Movimento pelo Direito ao Transporte Público e de Qualidade – MDT,  lembra que no Brasil o usuário do transporte coletivo chega a pagar 20% a mais nas tarifas devido as gratuidades sociais. “Vale ressaltar a Lei de Mobilidade Urbana, sancionada em 2012, que estabelece a democratização do uso das ruas. Um desafio quando a via pública é apropriada pelos automóveis em mais de 80% (para circular e estacionar), enquanto a lei determina que a eles deva ser reservado no máximo 30%. ”, conclui.

Saiba mais

Apresentação – Emiliano Affonso

Contrato de Programa (Define as regras e responsabilidades da integração entre os modais sobre trilhos e pneus, entre o Estado e Prefeitura Municipal de Salvador)

Convênio Cooperação Intrafederativo (Convênio para planejamento conjunto da construção, implantação e operação do sistema integrado de transporte público intermunicipal)

 

 

 

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